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Reabilitação Pós-covid: saiba o que os profissionais de saúde dizem sobre o tema

O infectologista Bernardo Wittlin e o médico anestesiologista do HU-UFMA Giovanne Santana discutem a temática e as estratégias de reabilitação para as pessoas recuperadas da doença

Atualmente, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 21 milhões de pessoas estão recuperadas da COVID-19 no Brasil. Apesar disso, os cuidados devem continuar, pois além de estarmos em processo de imunização populacional, evidências apontam para uma condição pós-COVID, em que mesmo recuperados, pacientes acometidos pela doença podem apresentar sintomas persistentes e por essa razão necessitam de outras modalidades de assistência, como a reabilitação.

Embora sejam mais comuns em pessoas que desenvolveram a forma mais grave da doença, pacientes que apresentaram a forma moderada da Covid-19 (e que não chegaram a ser hospitalizadas) também podem ser diagnosticadas com algum grau de comprometimento físico. As complicações tardias podem afetar diversas áreas do corpo humano, sejam elas neurofuncionais, cardiorrespiratórias, mentais, cognitivas e psicológicas. 

O infectologista Bernardo Bastos Wittlin, em entrevista ao núcleo de Comunicação e Design da UNA-SUS UFMA, conta que os sintomas persistentes da Covid-19 podem levar de semanas a meses para desaparecer totalmente e elenca as sequelas mais recorrentes.

Os sintomas da Covid-19 prolongada vão desde fadiga, dor de cabeça, dores no corpo, dor no tórax, falta de ar, alterações no olfato, paladar, perda de cabelo a alterações neuropsiquiátricas, como depressão, ansiedade, síndrome do transtorno pós-traumático, entre outras.” explica. 

Diante desse cenário, é preciso reforçar a importância da atuação dos profissionais de saúde nas mais diversas áreas, bem como a criação de mecanismos para assistir o paciente acometido pela Covid-19 em fase de recuperação. 

Para Giovanne Santana, médico anestesiologista do HU-UFMA, o processo de reabilitação deve ser discutido já no início do tratamento, com a família do paciente, e enfatiza a importância de um acompanhamento multidisciplinar nesses casos. “A pessoa que sobrevive à infecção causada pelo coronavírus causador da Covid-19, em sua forma aguda, certamente necessitará de acompanhamento médico prolongado; isso pode incluir o trabalho de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, enfermeiro e etc.” conclui.

O trabalho de reabilitação tem papel fundamental para a retomada da funcionalidade física do paciente e deve ser ofertado em tempo oportuno, explica o infectologista Bernardo Bastos Wittlin. “Quanto mais precoce melhor, ou seja, quanto mais rápido. Pense em um paciente que tenha sequela pulmonar; nesses casos, é imprescindível a fisioterapia respiratória. Pacientes que desenvolveram alterações psíquicas, devem ter acompanhamento com o psicólogo e o psiquiatra. Um trabalho que reúna vários campos do saber científico, especialmente pensando no SUS, que deve estar preparado para atender esse público considerando a alta incidência da doença”, conclui. 

Dessa forma, é extremamente relevante proporcionar aos profissionais de saúde a oportunidade de aprimorar conhecimentos, técnicas e conhecer as mais variadas possibilidades de cuidado. De maneira integrada e com um olhar voltado para as demandas sociais mais urgentes, contribui-se para o fortalecimento da educação permanente, tão essencial em um país continental como o Brasil. Informação, prevenção e estratégias de bem-estar público abrangentes são essenciais para o presente e, consequentemente, para o futuro pós-pandemia. 

O curso “Reabilitação do paciente com condições pós-covid”

O Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Federal do Maranhão, por meio da Diretoria de Tecnologias na Educação (DTED/UFMA), Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS/UFMA) e Grupo de SAITE (CNPq/UFMA) oferta o curso “Reabilitação do Paciente com condições pós-covid”. O curso é gratuito, com carga horária de 45h, realizado na modalidade a distância, com metodologia autoinstrucional e com início imediato.

As inscrições podem ser realizadas no site www.covid.saiteava.org até o dia 31 de março de 2022.

Cadastrado Por: Maiara Pacheco
Ultima edição Por: Maiara Pacheco
Data de Publicação: 11/11/2021